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BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Homem, de 26 a 35 anos, Persian, English, Sexo, Dinheiro
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Caixa Preta
Olga não empolga

Olga (idem/04) Direção: Jayme Monjardim. Com: Camila Morgado (Olga Benário), Caco Ciocler (Luis Carlos Prestes), Osmar Prado (Getúlio Vargas), Fernanda Montenegro (Leocádia Prestes), etc
Se você esteve em Marte nas últimas duas semanas, o filme "Olga", do diretor de minisséries Jayme Monjardim, é uma adaptação do livro homônimo escrito por Fernando Morais. O comentário mais ouvido sobre "Olga" é que este "nem parece filme brasileiro". Bom, talvez tenha sido justamente esta a intenção da Globo Filmes. A neve fabricada, o gelo cenográfico e todo o trabalho de recriar Munique, Moscou, campos de concentração e o escambau é digno de nota, embora o filme, infelizmente, só seja realmente bom se analisado em partes.
Uma das coisas mais simbólicas dessa produção com pretensões hollywoodianas é o uso da língua portuguesa como padrão. Alemães e russos falam o nosso idioma sem sotaque, salvo meia dúzia de legendas que, realmente, poderiam ter ficado de fora (não existe critério para quem fala "alemão-alemão" no filme). Já os critérios narrativos e estéticos são fáceis de entender: "Olga" foi feito para arrebatar platéias, arrancar lágrimas ao som de violinos e fazer pessoas acostumadas à comodidade do sofá, saírem da toca para encarar um multiplex da vida. Para isso, fizeram como os americanos, que impõem o inglês como idioma oficial de qualquer história, seja ela passada na Roma Antiga ou no Egito.
Opções comerciais à parte, o filme tem pelo menos três defeitos graves. O primeiro diz respeito ao ritmo. A primeira meia hora de "Olga" é um atropelo só. Infância, adolescência, ingresso no Partido Comunista, trincheiras, Moscou e vinda para o Brasil acontecem sem pausa. A impressão que fica é que Monjardim queria pular essa introdução e começar o filme a partir do encontro entre Olga e Prestes. Essa impressão fica ainda mais forte ao constatarmos que a seqüência da viagem de navio -- quando o casal vira mesmo um casal -- é notadamente a primeira coisa boa do fime.
Só que aí chegamos ao segundo problema de "Olga": a atuação de Caco Ciocler dá a Luis Carlos Prestes a aparência de um bundão. Se sua mulher é mostrada como heroína desde os primeiros fotogramas (a menina valente que pula uma fogueira), Prestes não tem pinta de líder popular nem aqui nem em Cuba. A direção de atores é realmente tema para questionamento aqui, ainda mais se lembrarmos que Osmar Prado interpreta Getúlio Vargas como se tentasse imitar a dicção de Paulo Maluf... Camila Morgado, apesar de parecer que lê alguns diálogos no teleprompter, salva-se com uma atuação bem mais convicente.
Se o roteiro não ajuda muito -- a cúpula do Partido Comunista Brasileiro é apresentada de qualquer jeito, sem uma construção mínima dos personagens --, a parte técnica tenta compensar os deslizes. A fotografia e a luz são muito boas e as locações que simulam a Europa da Segunda Guerra são bacanas (mesmo com o enquadramento fechado que nunca revela algo além de um prédio ou uma rua). Chegamos então ao terceiro e último (?) problema crônico de "Olga": com toda a produção feita para mostrar que "brasileiro também consegue fazer", faltou lembrar que cinema não é TV. A opção por encher a tela com o rosto dos personagens e editar essas mesmas passagens com (muitos) cortes secos deu a sensação de uma minissérie global filmada em 35 mm. Monjardim foi muito elogiado pela série televisiva "A Casa das 7 Mulheres", só que aqui ficou clara sua falta de traquejo com a linguagem cinematográfica. Mas talvez nem seja isso e sim uma opção para atender o público alvo do filme: aquele acostumado com o padrão da tevê.
Com tudo isso remando contra e 2 horas e meia de projeção, "Olga" consegue, por incrível que pareça, safar-se por conta da protagonista e sua impressionante história de vida. Fazendo vistas grossas para os problemas já citados, para um bebê que chora de boca fechada e outros pequenos vacilos, o filme não é a melhor coisa do cinema nacional, mas passa (bem) longe de outras aberrações recentes com a assinatura Globo Filmes.
Agora, se vocês me permitem, uma profecia: história de amor + campo de concentração = Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2005. Alguém banca a aposta?

Escrito por Mr Eddy às 15h51
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Sessão Maldita: The Audition

The Audition (Ôdishon/00) Direção: Takashi Miike. Com: Ryo Ishibashi (Shigeharu Aoyama), Eihi Shiina (Asami Yamazaki), Tetsu Sawaki, (Shigehiko Aoyama), etc Dia 04 de agosto último, o CineSesc exibiu mais 2 filmes malditos do projeto Sessões do Comodoro, idealizado pelo cineasta Carlos Reichenbach. O primeiro foi "Incubus", de Leslie Stevens, rodado em 1965 e falado em...esperanto! Mas o assunto aqui é o excepcional thriller japonês "The Audition", que ainda deve estar causando pesadelo em boa parte dos espectadores.
A trama: Shigeharu Aoyama, viúvo, é convencido pelo filho a se casar novamente após anos de solidão. Para ajudá-lo a selecionar uma pretendida, o colega Yoshikawa resolve organizar um teste para atrizes na produtora de TV onde trabalham. "The Audition" se insinua então como uma delicada "comédia romântica", que sensibiliza pelo drama do solitário Aoyama, mas também diverte com os diálogos e reflexões impagáveis do viúvo e seu amigo. As coisas fluem com leveza até o teste, que, na edição, ganhou trejeitos de cinema americano, apresentando uma combinação perfeita da trilha sonora com o hilariante desfile de candidatas.
Aoyama se identifica com a jovem Asami, ex-bailarina que abandonou seu ofício por um problema na cintura. Tímida e misteriosa, a garota revela um desapego à vida e um passado tão sofrido, que o viúvo projeta nela a parceira ideal para curar a solidão e a dor de ter perdido a esposa. À essas alturas, o espectador está com o coração derretido e torcendo pelo casal, mas...isso não é Hollywood. "The Audition" tem um inesperado "twist" e o diretor Takashi Miike mostra tremenda versatilidade ao transformar a sutil história de amor num thriller dos mais perversos.
Asami não é a doce criatura que se suspeita e seu romance com Aoyama se desenvolve como o maior dos pesadelos. De fato, é como assistir a um filme dentro de outro. A patologia da garota, trancada num apartamento escuro com um enorme saco de pano, lembra a confusão mental que Catherine Deneuve imprimiu em "Repulsa ao Sexo", mas ela se revela mais sádica que qualquer personagem do cinema em muito tempo (uma mistura de Annie Wilkes, de "Louca Obsessão", com os amigos perversos de "Violência Gratuita"). A revelação vem em forma de uma investigação solitária conduzida pelo viúvo, confuso após o desaparecimento de Asami. O quebra-cabeças vai se completando até o "grand finale" onde, ele próprio, é torturado sem compaixão pela garota infernal (Asami guarda alguma semelhança com a também lângüida e japonesa Sadako, de "Ringu").
"The Audition" é experiência cinematográfica extrema e Takashi Miike demonstra domínio pleno na direção: da história de amor ao horror explícito, o diretor tem o filme nas mãos e ainda se dá ao luxo de torturar o espectador nas cenas finais, onde insinua que tudo aquilo não passava de um sonho...para então confirmar o terror!
Aviso: quem se arriscar a ver o filme -- só em DVD importado -- deve preparar o coração para as cenas "do saco" e da amputação. Sadismo pouco é bobagem.

Escrito por Mr Eddy às 03h44
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